Deserto do Atacama | Parte 4: Lagunas Chaxas, Miscanti e Miñiques

E esse é o post sobre o terceiro e último dia de passeios pelo Deserto do Atacama. Por mais que eu desejasse conhecer todos os lugares, esse dia foi um dos mais esperados e, mesmo criando uma superexpectativa, me surpreendi muito.

Reserva Nacional Los Flamencos

Valor da entrada (que já inclui todos os passeios do dia): 5.000 pesos chilenos |Distância de San Pedro: + ou – 60km | Altitude: varia entre 2.300m e 4.100m

O dia começou às 8h, quando o micro-ônibus me buscou no hostel para irmos para o nosso primeiro destino, o Salar de Atacama.

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Salar de Atacama

O salar é um deserto de sal e eu já tinha visitado uma parte dele no primeiro dia de passeio (Laguna Tebinquiche), mas ficava do oooooutro lado. Esse deserto de sal faz parte do complexo da Reserva Nacional Los Flamencos (flamencos = flamingos ♥) e tem  3.000 km².

Chegamos na reserva e ficamos em um lugar (tipo uma casa, essa da foto) onde foi servido o café da manhã e nos passaram explicações sobre o local.

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//Lagunas Chaxas

Depois disso fomos caminhando pela estrada de sal até chegar nas Lagunas Chaxas, onde os flamingos vivem. Tem dois caminhos, a estrada mais estreita e com curvas e a estrada mais larga e reta. Eu fui por uma e voltei por outra. Esse trecho é bem tranquilo, pertinho.

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São duas lagoas, uma que fica do lado direito da estrada:

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E a outra do lado esquerdo, que acho que foi a que eu mais gostei:

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O vulcão (na esquerda) em último plano é o Lascar, que está ativo e iniciou a nova etapa de erupções em 2006.
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A maioria dos flamingos estava bem distante do limite permitido que eu podia circular – o que foi uma pena.

O deserto é uma aula de geografia pra vida e algumas das coisas mais interessantes que descobri no falar foram:

1) Os flamingos nascem claros (na cor cinza ou branca) e vão adquirindo a coloração mais rosada/avermelhada através da alimentação. Flamingos se alimentam de artêmias, que nesse caso vivem dentro das Lagunas Chaxas – e pudemos vê-las de pertinho em um aquário dentro daquela casa que comentei no início do post (onde tomamos café da manhã). Artêmias são crustáceos e possuem um corante que acumula no corpo do flamingos e, de acordo com a acentuação da cor, é possível diferenciar as espécies.

2) Nessa região habitam apenas 3 tipos/espécies de flamingos: Chileno, Andino e James.

Legal, né? Eu amei o lugar.

Pueblo Socaire

Saindo do salar nós paramos no vilarejo Socaire e o guia nos contou um pouco sobre a cultura dos Tiahuanaco, uma civilização pré-incaica que conseguiu desenvolver um método de agricultura usado até hoje na região dos Andes.

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Adorei o contraste do dobe + azul do céu + vegetação

Almoçamos no restaurante El Paso, onde nos ofereceram duas opções de cardápio: alguma coisa que eu não lembro o que era e patasca – que foi o que eu pedi. Patasca é um prato típico da região andina do Perú, Bolívia, Argentina e Chile (mas em cada país a receita sofre alteração). No Chile a patasca é tipo uma sopa preparada com carne de porco ou cabra, com milho cozido e, aparentemente, alguns legumes. Essa refeição já estava incluída no pacote.

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De lá fomos para o último passeio, que era o destino mais aguardado da viagem.

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Lagunas Altiplânicas

As Lagunas Altiplânicas também ficam localizadas na Reserva Nacional Los Flamencos, mas nesse momento já estávamos a mais ou menos 115km de distância de San Pedro e a uns 20km de Socaire. A altitude nesse região das lagunas é de mais de 4.000m e eu fiquei sem adjetivos pra descrever a paisagem.

//Laguna y vulcano Miscanti

Dá pra sentir a altitude, mas não cheguei a ficar enjoada como no passeio pros geysers – talvez por eu já ter me acostumado um pouco com a altitude, talvez por não ser tão cedo, talvez pela estrada não ter tantas curvas, talvez por todas as opções juntas.

Se olharmos a lagoa Miscanti de frente podemos avistar o vulcão com o mesmo nome a esquerda. São 15km² de lagoa e a sensação de estar dentro de um quadro, de uma pintura, de um papel de parede, sei lá. Chega a ser quase inacreditável de tão lindo e é incrível poder presenciar algo assim.

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Vale lembrar que é uma reserva e tem animais não domesticados soltos, ou seja, não é possível chegar até a água e caminhar sem rumo por lá. A área é restrita e bem sinalizada.

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A lagoa Miscanti recebe água das chuvas de verão, da infiltração subterrânea das chuvas e das vertentes termais.

E de lá já avistamos o vulcão Miñiques, que fica a direita e “esconde” a lagoa que recebe o mesmo nome.

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//Laguna y vulcano Miñiques

A lagoa Miñiques é menor que a outra e possui apenas 1,5km². Quando chegamos na segunda lagoa o vulcão Miñiques fica a esquerda e nesse momento não conseguimos mais avistar a primeira lagoa.

As duas lagoas são interligadas através de um canal subterrâneo e essa menor (Miñiques) recebe água da maior (Miscanti).

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Não sei o porquê e não sei se isso só acontece em dias mais nublados,  mas o tom da água da Miscanti é mais azulado, enquanto o tom da água da Miñiques é esverdeado.

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Fomos caminhando de uma pra outra, mas o micro-ônibus foi nos buscar na segunda lagoa.

Tem gente que ficou comparando uma com a outra, mas eu nem tentei. As duas lagoas e os dois vulcões (ambos inativos) são maravilhosos e foram o auge da minha temporada no deserto – e isso que o dia estava meio nublado.

Antes de ir embora eu perguntei pro guia se ele conseguia se acostumar com a beleza do lugar, mesmo visitando as Lagunas Altiplânicas todos os dias, e ele respondeu “e tem como?”. Não tem!

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A próxima foto foi tirada em movimento, mas na estrada pra chegar e sair das lagunas é possível ver que o solo é diferentes e irregular. O guia nos explicou que tal deformação foi causada pela lava dos vulcões da região (quando ativos).

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Pueblo Toconao

Achei desnecessário, mas paramos na praça principal (e acredito que única) do vilarejo Toconao (+ ou – 40km de San Pedro), onde tem uma igreja (que não apareceu na foto) que boa parte dela (escadas, teto e portas) foi construída a partir da madeira de uma espécie de cactos nativa da região.

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Em 2012 esse rio (que mal aparece na foto) transbordou em função da chuva e fez com que uma parte da cidade fosse destruída. 
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Chegamos em San Pedro às 17h e eu fui num happy hour (nas férias toda hora é happy) com o pessoal que conheci nos passeios e no hostel. Depois fui pro hostel arrumar as minhas coisas e esperar o translado para o aeroporto de Calama.

E assim encerro os posts sobre os passeios que eu fiz no Atacama, mas ainda pretendo escrever dicas gerais de San Pedro e os passeios que eu gostaria de ter feito e não fiz em função de tempo (fiquei poucos dias lá) ou chuva – sim, choveu no deserto mais árido do planeta enquanto eu estava lá.

Links pros outros posts do Atacama

Deserto do Atacama | Parte 2: programação, Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebinquiche

Deserto do Atacama | Parte 3: Geyser del Tatio, Valle de la Muerte e Valle de la Luna

Deserto do Atacama | Parte 1: passagem, translado e hospedagem

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